Isaley - Cidadã lusófona intercultural versátil e diversificada

isaley cantoraEntrevista com Isaley (Cantora, Compositora e Estilista)

 

Qual o estilo de música que canta?

Faço uma fusão musical entre o Semba, Kizomba, Zouk, música tradicional e outros estilos de música, como por exemplo, a Tarraxinha, o Pop, a Marrabenta, o Afro Beat, e muitos outros géneros musicais, o que me torna uma cantora versátil, intercultural e diversificada.

Considera-se uma cantora moçambicana?

Nasci em Maputo, Moçambique, mas apresento-me como cidadã do mundo, tenho a nacionalidade portuguesa, considero-me uma cantora lusófona intercultural, basta ouvir um pouco a minha obra para constatar que tenho muitas influências musicais de toda a lusofonia, principalmente Angola, e fusão com outros países. Nos meus trabalhos discográficos também disponho de músicas tradicionais moçambicanas, como a Marrabenta.

Fale-me sobre o último álbum?

O meu último álbum tem o título «Paixão da Vida» onde trabalhei com seis produtores (Betinho Feijó, Juca Delgado, Filipe Santo, Dua, Guigas B e Manu Zimmer). O Bonga que apadrinhou o álbum, tocou para mim o tema «Chegada», tem como artistas convidados, o Djipson, Manecas Costa, Ciro Bertini, Dikanza, e muitos outros músicos. A nível familiar, o tema «Raiz da minha existência», teve a participação da minha mãe Zélia; o tema «Pensa em mim» tem a participação da minha filha Raquel Flores, que também participa nos coros. Regravação do tema «Sem Kigila» que foi gravada inicialmente nos anos 80 com Paulo Flores e Carlos Flores. O tema «Toman chú» e «Essa Vida a Dois» de Juca Delgado. O remake do tema bastante conhecido e antigo «Amio». O resto dos temas foram compostos por mim. Este álbum é uma fusão musical entre Semba, Kizomba, Zouk, Tarraxinha, música tradicional, música da Guiné Bissau e Moçambique, pop português, e Afro Beat.

Como foi o início da sua carreira?

Comecei a cantar música brasileira, portuguesa, música em inglês, em criança nas festas, eventos, discotecas e pubs. Faço parte do elenco dos artistas que implementaram a Kizomba.

Fale-nos sobre esses anos iniciais da implementação da Kizomba.

Começamos nos anos 80, participei no disco «Sem Kigila Também», com Paulo Flores e Ruca Vandunen, interpretando o tema que deu origem ao nome do álbum  «Sem Kigila Também», e no tema «Certeza» com Paulo Flores e Ricardo de Abreu, participei também nos coros do disco. As pessoas aderiram a este estilo de música, foi um sucesso, nesse ano, fui considerada a melhor voz de África, a música esteve muito tempo no top do continente africano, fui uma das grandes referências para as novas cantoras angolanas que apareceram. Fiz parte de diversos grupos, entre os quais o “Kandandu” onde cantávamos e dançávamos coreografias que ajudaram a desenvolver o estilo de dança.

Em que outros projetos participou?

Participei em projetos como As Cheias da Guine, com Juca Delgado, entre outros. Trabalhei na música, com Bonga, Paulo Flores, Eduardo Paim, Juka, Irmãos Verdades, e outros cantores, e na música portuguesa, brasileira, cantei música inglesa, Fado, etc. Este meu percurso diversificado, dá-me bastante versatilidade.

Descreva a sua obra como Estilista?

Desde criança que tinha este lado da moda, fazia os meus desenhos, fazia os meus arranjos para a minha própria roupa, e resultava; apesar disso, fui modelo e manequim…

Neste momento as peças que concebo são estilos de moda africanos, trabalho com capulana, e também já faço misturas entre capulana e os tecidos ditos normais. Comecei há pouco tempo a criar e a apresentar o meu trabalho, as minhas coleções em eventos, tenho expandido o meu trabalho, e pretendo desenhar futuramente, roupa clássica, e estilo europeu.

Consta que foi ligada a um homem que é uma personalidade lusófona da cultura angolana…

Sim, com Carlos Alberto Flores, mais conhecido por Pai Cabé, que foi um dos ícones na animação musical noturna de Luanda, e Portugal, e na cultura angolana em sentido lato, foi o empresário, e pai do Paulo Flores, que é irmão dos meus três filhos Carlos, Fernando, e Raquel Flores.

Fale-nos sobre si em outras áreas…

Apoio jovens na orientação do seu trabalho, quando me é solicitado orientação vocal, encaminhando e mostrando como devem engrandecer o seu trabalho. Para além disso interpreto temas e faço coros quando sou convidada.

Fui júri das Vozes da Diáspora.

Contribuo para causas e solidariedade, para Angola, São Tomé, Guiné-Bissau, Moçambique entre outros.

Fui modelo fotográfica e manequim quando era mais nova, e mais recentemente geri agências de moda. Dou formação aos jovens manequins e modelos fotográficos, e apoio a organização das Misses CPLP.

Tenho o curso de licenciatura em animação sociocultural na vertente da ação social, tenho formação em música e teatro, gestão de agências de moda, Monitora de ATL.

Pratiquei Desporto - futebol profissional 11, andebol e outros desportos.

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