Guiné-Bissau: Comunidades «Kil ki di nós tem balur», registo/ controle, promoção e venda/ compra de produtos da terra

Na Guiné-Bissau existe a necessidade de verificar a atividade da promoção e venda dos produtos das comunidades «kil ki di nós tem balur», registar e controlar de forma rápida e controlada a informação, usando as novas tecnologias nessa área de negócio, tendo o controlo do que foi produzido pela comunidade, saber de forma rápida quem são produtores desses produtos, e os principais compradores, permitindo a valorização dos produtos.

madislvc

Por isso viu-se a necessidade de desenvolver um software que irá ajudar muito não só a população, mas também permitirá ao estado compreender melhor a produção comunitária. Visto que é de grande importância ter registos desse género, por um lado para termos dados dos negócios a realizar, por outro lado controlar e ter informação de tudo o que provem da mão de obra comunitária. No passado dia 3 de maio de 2016 decorreu, em Lisboa, a apresentação do trabalho SLVC - «Sistema de loja de venda comunitária na Guiné-Bissau», pelo finalista guineense Madi Djaura que terminou o seu trabalho final de curso, da Licenciatura em Engenharia Informática, na Universidade Lusófona. Trata-se dum projeto que consiste no desenvolvimento de um software informático para gestão de vendas duma forma organizada, que é sempre feita pela comunidade em parceria com as organizações não governamentais, irá permitir no fim da venda ter um registo de produtos recolhidos e dos produtos vendidos, atendendo que a maior parte desses produtos são provenientes da natureza em que a comunidade faz a colheita direta e leva-os para vender às vezes no mercado ou através de feiras comunitárias que são organizadas pelas ONGs.

Foi constatado que as organizações não governamentais que realizam feiras comunitárias de venda e promoção de produtos tradicionais guineenses denominadas «Kil Ki Di Nos Tem Balur» (o que é nosso tem valor) onde todos os registos de entrada de produtos e a sua venda são feitas manualmente em folhas de papel, o que exige muito trabalho e morosidade, nesta ótica surgiu a ideia de desenvolver o SLVC (sistema de loja de venda comunitária) um software que pode ajudar a resolver esse problema, podendo assim ter registos mais organizados, indo separar essas informações, buscando ajustar-se eficazmente à realidade na qual estão inseridas, não obstante os novos desafios com os quais se ressentem. Permitirá poupar mais nos papéis e em tempo de trabalho, podendo assim fazer cópias desses dados para qualquer dispositivo de armazenamento digital (pen drive, disco rígido, cartão de memoria, etc.).

Este sistema é para ser utilizado por organizações não governamentais, associações e comunidades na Guiné-Bissau, embora sem descartar a possibilidade de ser utilizado em outros países africanos atendendo que os problemas que se pretende resolver serem semelhantes em alguns desses países.

No mercado pode-se encontrar uma vasta gama de aplicações do género, mas o que diferencia o SLVC de outros tem a ver com cada aplicação ser desenvolvida tendo em conta a realidade local, o SLVC é uma aplicação que está estritamente desenvolvida para a realidade da Guiné-Bissau, pois por exemplo, os impostos e moedas são diferentes entre países, algumas aplicações são muito avançadas, o que não se encaixa com realidade que se pretende com a atividade de venda e promoções que são efetuadas na Guiné-Bissau que dispõe de muitos utilizadores de nível básico.

Assim, serão minimizadas as dificuldades que se verificam na atividade da promoção e venda dos produtos dessas comunidades. Por outro lado, incentiva os registos e controle de forma rápida e controlada de informação, uso de novas tecnologias nessa área de negócio, ter controlo de informação do que é que se produzido pela comunidade, saber de forma rápida quem são produtores destes produtos, e os principais compradores, e permitir a valorização dos produtos «kil ki di nós tem balur».

O objetivo será alcançado, pois as organizações já poderão adquirir o sistema, auxiliando-os no controle dos seus produtos que são bens de grande importância, minimizando a possibilidade de erros através de registos rápidos, seguros e muito mais interativos. O controle de acessos garante uma confiabilidade aos administradores que podem saber a qualquer momento o que os utilizadores estão a fazer no sistema.

Para trabalhos futuros pretende-se acrescentar novas funcionalidades ao software tendo em conta as recomendações feitas no momento dos testes diretamente nas comunidades, como por exemplo de produção de etiquetas de código de barras, para poder permitir identificar o produto com uma etiqueta que será devidamente identificada com o código de barras guardado na base de dados.

Não esquecer o que está por trás da motivação de desenvolvimento deste software é promover o que é nosso pelo que este software não foge à regra de desenvolvimento feito pelo fidju de tchon (filho da terra).

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