Lusofonia

Gestão do trabalho, família e amigos nas sociedades

  • Category: Notícias
  • Published: Tuesday, 02 May 2017 23:18
  • Written by Julia da Regina Sainda

Nas sociedades atuais tem sido um grande desafio conseguir gerir o trabalho, amigos e ainda prestar a devida atenção à família. Muitos são os que reclamam porque sua filha, amigo, pai, esposa, esposo, irmão sejam lá quem for não lhes dá atenção por alegada pressão do trabalho.

Mr. Bow, um Jovem moçambicano, relata no vídeo acima colocado em link, a experiência de gestão do tempo.

Aqui se encontra o vídeo de um dos emblemáticos da música moçambicana, Mr. Bow, nela para além da alegria que se transmite pela dança, som acompanhado de vários instrumentos da cultura moçambicana, como é o caso da Timbila que relatamos na última pubicação, Mr. Bow partilha a experiência de gestão de tempo, sendo que o músico conta que de segunda à sexta concentra-se no trabalho, mas que na mesma sexta, eles saem para comemorar com os amigos o mesmo acontece ao sábado, mas que ao domingo o dia  é expressamente para a família, (esposa). 

De certa forma Mr. Bow refere que muitos que não sabem fazer a gestão do tempo, invejam os que conseguem articular o trabalho, amigos e família. Realça a Marrabenta, nosso estilo que dança em Moçambique. Relata também que a interação, viagens e o saber aproveitar recursos,  "o dinheiro não tem dono, a vida é uma roda" (sic) " os de Inhambane conseguem dinheiro em de Gaza, os de gaza conseguem dinheiro em Maputo e estes em Inhambane". 

É uma música com grandes ensinamentos que vale a pena ver, aliás, os moçambicanos vêem na música uma forma de manifestação dos seus sentimentos, pensamentos, retalhação de injustiças. É uma forma de partilhar a sua maneira de ver a realidade com quem lhes ouve ou lhes vêem.  

Mr Bow

Timbila e sensualidade da cultura moçambicana

  • Category: Notícias
  • Published: Sunday, 30 April 2017 19:15
  • Written by Júlia da Regina Sainda

timbila

A Timbila é um instrumento de percussão, tocado com baquetas, que consiste numa série de placas de madeira dispostas em escalas sobre cascas secas de massalas, e que funcionam como caixa-de-ressonância.

Um instrumento musical da cultura tradicional moçambicana, o instrumento tem sua fama na comunidade de língua chope, mais concretamente no distrito de Zavala entre outros da província de Inhambane, no sul de Moçambique. A Timbila encontra no centro (Manica, Sofala e Tete) deste País africano, uma outra designação, Valimba, em língua sena.

A timbila (plural de mbila = 1 lâmina de madeira) apresenta a sua particularidade nas massalas (ou "maçalas"), isto é, cabaças de vários tamanhos que funcionam como caixas-de-ressonância e que se encontram por baixo de cada lâmina de madeira. Cada lâmina possui um pequeno orifício pelo qual o som é transmitido até à caixa-de-ressonância (cabaça). Esta encontra-se fixa à lâmina, através de uma mistura de componentes naturais, como cera de abelha, terra e intestino animal. Os materiais com que se constrói a mbila são fundamentais para lhe conferir o timbre típico. A sua construção, uma arte transmitida de pais para filhos, demora perto de três meses e meio. A timbila é tocada com duas baquetas que na ponta possuem um anel de borracha. Para constituir uma orquestra de timbilas, são necessários vários tipos de mbilas que se diferenciam pelo número, tamanho (em comprimento e largura) e pelo tamanho das suas cabaças.

Atualmente, por altura do verão, realiza-se um festival de timbilas, que reúne as melhores orquestras para apresentação e avaliação de novas composições musicais. Cada uma das orquestras pode reunir até vinte músicos e apenas compor uma peça por ano, sempre a partir da anterior, para que assim se mantenham as particularidades musicais de cada orquestra.

O festival de Zavala/de Timbila movimenta todo o País e pessoas fora de Moçambique, é um momento único que ninguém quer perder. Dado a vitalidade passada por esta demonstração, os mais velhos têm ensinado os jovens locais a tocar este instrumento e outros a participar como dançarinos do som da Timbila.

Sua relevância é tanta que já foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Novembro 2005 como património cultural da Humanidade. Pelo som, pela dança adolescentes jovens expressam sua alegria neste ritmo cultural juntamente com os mais velhos, que aliás, são estes que ensinam àqueles de modo que a cultura não morra, continue, passando de geração em geração.

O contexto do país (Angola) económico e financeiramente

  • Category: Notícias
  • Published: Tuesday, 24 May 2016 11:25
  • Written by Fernando Teodósio
O contexto do país (Angola) económico e financeiramente: a situação degrada-se a cada dia que passa e de forma irreparável, sendo quase impossível obter moeda estrangeira no mercado formal. A única porta para as pessoas adquirirem divisas e também agora quase raras é no mercado informal.
Exemplo:
Dezembro de 2015 – Formal: BNA- 1 dólar = 16.000 kz(moeda de Angola)
Bancos comerciais 1 dólar = 22.000 kz
Mercado Informal – 1 dólar - 37.000.kz
 
Janeiro de 2016 - Formal: BNA e Bancos Comerciais mantiveram o valor
Mercado Informal – 1 dólar = 42.000.kz
 
Maio de 2016 - Formal: BNA não alterou mas os Bancos Comerciais teem registado a falta de divisas.
Mercado Informal – 1 dólar = 62.000.00 kz.
 
Os titulares de contas bancárias não podem transferir o dinheiro depositado nas suas contas para o estrangeiro. O Governo restringiu primeiro, mas agora quase que proibiu.
Em Angola não se pode transferir dinheiro por outras vias (Western Union, etc.). Não se pode utilizar os cartões de débito nem de crédito nem a nível nacional nem internacional.
Como vedes, a situação de Angola é do domínio internacional.
Existem documentos de análise económica que podem ajudar o entendimento da situação em Angola.

Guiné-Bissau: Comunidades «Kil ki di nós tem balur», registo/ controle, promoção e venda/ compra de produtos da terra

  • Category: Notícias
  • Published: Wednesday, 04 May 2016 13:19
  • Written by Fernando Teodósio

Na Guiné-Bissau existe a necessidade de verificar a atividade da promoção e venda dos produtos das comunidades «kil ki di nós tem balur», registar e controlar de forma rápida e controlada a informação, usando as novas tecnologias nessa área de negócio, tendo o controlo do que foi produzido pela comunidade, saber de forma rápida quem são produtores desses produtos, e os principais compradores, permitindo a valorização dos produtos.

madislvc

Por isso viu-se a necessidade de desenvolver um software que irá ajudar muito não só a população, mas também permitirá ao estado compreender melhor a produção comunitária. Visto que é de grande importância ter registos desse género, por um lado para termos dados dos negócios a realizar, por outro lado controlar e ter informação de tudo o que provem da mão de obra comunitária. No passado dia 3 de maio de 2016 decorreu, em Lisboa, a apresentação do trabalho SLVC - «Sistema de loja de venda comunitária na Guiné-Bissau», pelo finalista guineense Madi Djaura que terminou o seu trabalho final de curso, da Licenciatura em Engenharia Informática, na Universidade Lusófona. Trata-se dum projeto que consiste no desenvolvimento de um software informático para gestão de vendas duma forma organizada, que é sempre feita pela comunidade em parceria com as organizações não governamentais, irá permitir no fim da venda ter um registo de produtos recolhidos e dos produtos vendidos, atendendo que a maior parte desses produtos são provenientes da natureza em que a comunidade faz a colheita direta e leva-os para vender às vezes no mercado ou através de feiras comunitárias que são organizadas pelas ONGs.

Foi constatado que as organizações não governamentais que realizam feiras comunitárias de venda e promoção de produtos tradicionais guineenses denominadas «Kil Ki Di Nos Tem Balur» (o que é nosso tem valor) onde todos os registos de entrada de produtos e a sua venda são feitas manualmente em folhas de papel, o que exige muito trabalho e morosidade, nesta ótica surgiu a ideia de desenvolver o SLVC (sistema de loja de venda comunitária) um software que pode ajudar a resolver esse problema, podendo assim ter registos mais organizados, indo separar essas informações, buscando ajustar-se eficazmente à realidade na qual estão inseridas, não obstante os novos desafios com os quais se ressentem. Permitirá poupar mais nos papéis e em tempo de trabalho, podendo assim fazer cópias desses dados para qualquer dispositivo de armazenamento digital (pen drive, disco rígido, cartão de memoria, etc.).

Este sistema é para ser utilizado por organizações não governamentais, associações e comunidades na Guiné-Bissau, embora sem descartar a possibilidade de ser utilizado em outros países africanos atendendo que os problemas que se pretende resolver serem semelhantes em alguns desses países.

No mercado pode-se encontrar uma vasta gama de aplicações do género, mas o que diferencia o SLVC de outros tem a ver com cada aplicação ser desenvolvida tendo em conta a realidade local, o SLVC é uma aplicação que está estritamente desenvolvida para a realidade da Guiné-Bissau, pois por exemplo, os impostos e moedas são diferentes entre países, algumas aplicações são muito avançadas, o que não se encaixa com realidade que se pretende com a atividade de venda e promoções que são efetuadas na Guiné-Bissau que dispõe de muitos utilizadores de nível básico.

Assim, serão minimizadas as dificuldades que se verificam na atividade da promoção e venda dos produtos dessas comunidades. Por outro lado, incentiva os registos e controle de forma rápida e controlada de informação, uso de novas tecnologias nessa área de negócio, ter controlo de informação do que é que se produzido pela comunidade, saber de forma rápida quem são produtores destes produtos, e os principais compradores, e permitir a valorização dos produtos «kil ki di nós tem balur».

O objetivo será alcançado, pois as organizações já poderão adquirir o sistema, auxiliando-os no controle dos seus produtos que são bens de grande importância, minimizando a possibilidade de erros através de registos rápidos, seguros e muito mais interativos. O controle de acessos garante uma confiabilidade aos administradores que podem saber a qualquer momento o que os utilizadores estão a fazer no sistema.

Para trabalhos futuros pretende-se acrescentar novas funcionalidades ao software tendo em conta as recomendações feitas no momento dos testes diretamente nas comunidades, como por exemplo de produção de etiquetas de código de barras, para poder permitir identificar o produto com uma etiqueta que será devidamente identificada com o código de barras guardado na base de dados.

Não esquecer o que está por trás da motivação de desenvolvimento deste software é promover o que é nosso pelo que este software não foge à regra de desenvolvimento feito pelo fidju de tchon (filho da terra).

Share This