Lusofonia

Angola: Crise Cambial

  • Category: Notícias
  • Published: Tuesday, 01 March 2016 14:02
  • Written by Lusofonia

angola recursosA crise cambial que Angola atravessa é incompatível com as necessidades sociais dos seus cidadãos devido a fraca, parca e incipiente produção interna face a dependência às importações de bens de primeira necessidade.

Numa breve análise sobre o desempenho da economia Angolana no pretérito, os erros cometidos, os enganos consentidos, os vários sinais de desespero ou sustos em razão de várias crises provocadas pela dependência ao petróleo, é hora da sociedade civil, o partido no poder e os partidos da oposição com assento ou não no parlamento, darem espaço de diálogo institucional construtivo, livre de arrogância e sério para que se apontem soluções consensuais que abram caminhos a diversificação da economia com propósito de Angola trilhar uma sustentabilidade económica e financeira duradoura.

A dependência ao petróleo, ao longo dos anos, mostrou as consequências de um país (Angola) possuidor e exportador de tal recurso que não dispõe dum sector produtivo de bens de primeira necessidade capaz de satisfazer a procura ou demanda interna. E, juntando-se a essa incapacidade, a pouca produção interna, perde competitividade face a produção externa, fazendo com que, seja mais barato importar que produzir internamente.

Eu, que sigo atentamente as diversas posições ou opiniões, se Angola não adoptar um plano ou uma estratégia séria sobre a diversificação económica e sobre a sustentabilidade orçamental e financeira pública, vai mergulhar na rota do mito da “atlântida”, será engolido por um oceano cujas águas terão origens desconhecidas, ou seja, não sabemos de onde virão e o que pode acontecer, atendendo a incerteza, ouso sem sombras de dúvidas dizer que não haverá salva-vidas suficientes ou que cheguem pra todos.

Os actores da sociedade civil, política e intelectual angolana, devem indagar, como é que Angola, abundante em recursos naturais minerais não renováveis (petróleo, diamantes, ferro, ouro, granitos, areias e muito mais), recursos naturais renováveis (flora), recursos hídricos, piscículos (marinhos e água doce), com terra fértil e com uma beleza natural (óptima para o fomento do turismo), não consegue alavancar sua economia, atingir grau de competitividade que possa nivelar os desequilíbrios económicos, financeiros e sociais. Esta divergência, abundância de recursos e falta de desenvolvimento económico, social e financeiro sustentável, persiste desde a independência de Angola. Porém, mesmo nos períodos da alta do petróleo, os angolanos não têm sabido aproveitar correta e honestamente os excedentes orçamentais e financeiros o que tem constituído um entrave ao desenvolvimento do país.

Por outra, passados 40 anos de independência, apesar do fardo herdado da guerra, não nos esqueçamos da paz que persiste desde o ano de 2002. Foi bom termos perdido a guerra, em razão desta perda, ganhamos a paz. Mas indaguemo-nos, que paz ganhou-se, sem sombras de dúvidas, ganhamos uma paz podre, doente e moribunda.

Muitos angolanos, que não presenciaram a guerra, continuam a alimentar e argumentar o discurso e dogmatismo da guerra, para mim, este pensamento é incompatível com o tipo de estado que Angola quer construir, moderno, livre, solidário, bem governado desenvolvido, próspero e democrático.

Na minha opinião, a falta de solidariedade, da boa governação, da impreparação governativa, de fazer oposição, de sentido de nação, na prática, traduz-se num falhanço do projecto angolano sob as aspirações da independência.

Tenha-se consciência de que todos angolanos estão a perder com este estado de coisas a que o nosso país está mergulhado.

Se não mudarmos o nosso caminho, choraremos.

Por Eliseu Gonçalves Francisco
Advogado inscrito nas Ordens dos Advogados de Portugal e Angola. Doutorando em Direito Económico na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa; Mestre em Direito das Empresas pelo ISCTE-IUL e Licenciado em Direito pela Universidade Independente de Lisboa.

 

Angola: A diversificação da economia precisa de perseverança, persistência, tato, disciplina, organização, instrução e conhecimento.

  • Category: Notícias
  • Published: Thursday, 11 February 2016 16:54
  • Written by Lusofonia

Eliseu Francisco

Angola: A diversificação da economia precisa de perseverança, persistência, tato, disciplina, organização, instrução e conhecimento.

Para se diversificar a economia angolana de modo a atingir excelência, é preciso adoptar-se comportamento perseverante, aliado a disciplina, organização, instrução e ao conhecimento, que, juntos, devem ser sequazes, porque, neste momento, a conquista dos objectivos atinentes à diversificação da economia não são fáceis de atingir por Angola, uma vez que os caminhos a percorrer estão cheios de obstáculos, quiçá, de trilhos incertos. Só perseverança económica busca meios necessários para sustentabilidade socioeconómica alimentada por um sector produtivo diversificado assente no investimento na economia real, na instrução e conhecimento. A perseverança, as vezes é sinónima de persistência que, em paralelo, são qualidades preciosas quando desenvolvidas com saúde, livres de preguiça, ociosidade, interesses secundários e antagónicos, zona de conforto, medo, pusilanimidade, por parte dos actores públicos e privados que compõem uma comunidade nacional soberana (um povo). Ou seja, um povo não deve desistir de produzir quando tem meios de o fazer, deve exonerar-se do comodismo do conforto proporcionado por um rendimento obtido por direitos fundiários sobre um produto finito com valor mercantil volátil, ao ponto de minar o desenvolvimento dos seus objectivos actuais e futuros. Por outra, no desenvolvimento de um país, a persistência na diversificação económica sustentável, aliada a disciplina, organização, instrução e ao conhecimento, é qualidade míster que faz com que seu povo vença suas limitações e desenvolva habilidades. Deste modo, sem disciplina, organização, instrução e conhecimento, a persistência, como ferramenta, pode transformar-se numa teimosia quando aplicada na conquista de esforços inúteis ou errados dentro do propósito da vida própria do país. Tal acontece quando se aposta em políticas, estratégias, planos e projectos irrealistas e mal gizados. O acontecimento de várias crises económicas similares ao longo de tempo num determinado país, sem que haja habilidades de contornar derrotas por parte de quem o povo elegeu (para governar ou estar na oposição), por os eleitos persistirem em soluções repetitivas e falhadas, mina e enfraquece a fonte energética da motivação, ambição, perspectivas intergeracional e compromete a expectativa sobre os resultados que se almejam. Ou seja, tal persistência se transforma em teimosia mimada de um egocentrismo que não quer desistir por capricho próprio ou para não dar o braço a torcer, apostando em projectos populistas, através da desorçamentação, que, com o tempo, não proporcionam retornos a favor da sociedade colectiva, nascendo tensões sociais, por ausência de desenvolvimento. Quando a persistência de quem foi eleito para governar ou fazer oposição tem como sequazes o discernimento e a autocrítica, alavanca-se a reflexão sobre os propósitos do povo que representa e o elegeu, altera sua vida e sua posição na sociedade de que faz parte, por a autocrítica permitir analisar-se a si mesmo com modéstia, livre de armadilhas da arrogância, da prepotência e da ganância. Num país como Angola, seus actores devem despir-se da teimosia. Na verdade um actor teimoso não dá ouvidos ao outro, acredita que sua verdade é absoluta, concentra sua energia no egocentrismo, perde discernimento, ignora o ponto de vista de outro actor por ter definido o seu como verdade suprema, o que faz com que insista sempre nos mesmos erros, e cada vez que erra, repassa a culpa ao outro, torna a convivência difícil, dá azo a afastamentos, por saberem que com actores assim, torna-se difícil compartilhar opiniões e discussões saudáveis que culminem num interesse consensual colectivo. Este virar de costas que nasce devido a teimosa tende a ser agressiva, pois em muitas situações, os actores da mesma sociedade acabam usando a agressividade (de caris verbal, de repúdio ou de manifestação) para mostrarem uns aos outros que cada um está irredutível no que pensa, ou seja, cada actor fecha sua mente para o conhecimento, coisas novas, por falta de espaço dialogal. No nosso país, Angola, os actores da nossa sociedade, devem ser perseverantes na resolução dos problemas colectivos da nação. É através da perseverança que se busca meios necessários para alcançar os objectivos de Angola e de todos actores da sociedade angolana. O melhor caminho para os actores chegarem aonde querem é a perseverança aliada a disciplina, a organização, instrução e ao conhecimento. Na verdade, este polinómio de substantivos, são as chaves que permitem seus actores estudarem as vantagens do diálogo, das trocas de opiniões, da partilha de experiencias, das vantagens de ouvir o outro, porque, com tudo isto, nasce um espaço emocional de paz e tranquilidade. Por fim, se os actores primarem pela positiva, terem seus objectivos para o bem da nação, nenhum actor social sentirá a necessidade de impor-se irredutivelmente, porque, cada um, para suas conquistas, analisará, buscará recursos, pedirá opiniões, esperará cedências e cederá, cujo resultado será: aprender com o outro, compartilhar conhecimento e alcançar suas metas, reconhecendo o espaço dos outros actores. Tal vai alterar o padrão energético do diálogo, as discussões das grandes políticas, planos e projectos económicos do país serão positivos, e aparecerá no caminho dos actores, ideais para ajudar, orientar, assim como novas oportunidades. Eis o momento dos angolanos compreenderem que a resolução dos problemas sejam quais forem, só é possível com diálogo, resiliência e perseverança aliada a modernização, investimento diversificado na economia real, criação de emprego, disciplina, organização, instrução e conhecimento.

Por ELISEU GONÇALVES FRANCISCO*
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* Advogado inscrito nas Ordens dos Advogados de Portugal e Angola. Doutorando em Direito Económico na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa; Mestre em Direito das Empresas pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e Licenciado em Direito pela Universidade Independente de Lisboa.

Isaley - Cidadã lusófona intercultural versátil e diversificada

  • Category: Notícias
  • Published: Thursday, 20 August 2015 02:08
  • Written by Fernando Teodósio

isaley cantoraEntrevista com Isaley (Cantora, Compositora e Estilista)

 

Qual o estilo de música que canta?

Faço uma fusão musical entre o Semba, Kizomba, Zouk, música tradicional e outros estilos de música, como por exemplo, a Tarraxinha, o Pop, a Marrabenta, o Afro Beat, e muitos outros géneros musicais, o que me torna uma cantora versátil, intercultural e diversificada.

Considera-se uma cantora moçambicana?

Nasci em Maputo, Moçambique, mas apresento-me como cidadã do mundo, tenho a nacionalidade portuguesa, considero-me uma cantora lusófona intercultural, basta ouvir um pouco a minha obra para constatar que tenho muitas influências musicais de toda a lusofonia, principalmente Angola, e fusão com outros países. Nos meus trabalhos discográficos também disponho de músicas tradicionais moçambicanas, como a Marrabenta.

Fale-me sobre o último álbum?

O meu último álbum tem o título «Paixão da Vida» onde trabalhei com seis produtores (Betinho Feijó, Juca Delgado, Filipe Santo, Dua, Guigas B e Manu Zimmer). O Bonga que apadrinhou o álbum, tocou para mim o tema «Chegada», tem como artistas convidados, o Djipson, Manecas Costa, Ciro Bertini, Dikanza, e muitos outros músicos. A nível familiar, o tema «Raiz da minha existência», teve a participação da minha mãe Zélia; o tema «Pensa em mim» tem a participação da minha filha Raquel Flores, que também participa nos coros. Regravação do tema «Sem Kigila» que foi gravada inicialmente nos anos 80 com Paulo Flores e Carlos Flores. O tema «Toman chú» e «Essa Vida a Dois» de Juca Delgado. O remake do tema bastante conhecido e antigo «Amio». O resto dos temas foram compostos por mim. Este álbum é uma fusão musical entre Semba, Kizomba, Zouk, Tarraxinha, música tradicional, música da Guiné Bissau e Moçambique, pop português, e Afro Beat.

Como foi o início da sua carreira?

Comecei a cantar música brasileira, portuguesa, música em inglês, em criança nas festas, eventos, discotecas e pubs. Faço parte do elenco dos artistas que implementaram a Kizomba.

Fale-nos sobre esses anos iniciais da implementação da Kizomba.

Começamos nos anos 80, participei no disco «Sem Kigila Também», com Paulo Flores e Ruca Vandunen, interpretando o tema que deu origem ao nome do álbum  «Sem Kigila Também», e no tema «Certeza» com Paulo Flores e Ricardo de Abreu, participei também nos coros do disco. As pessoas aderiram a este estilo de música, foi um sucesso, nesse ano, fui considerada a melhor voz de África, a música esteve muito tempo no top do continente africano, fui uma das grandes referências para as novas cantoras angolanas que apareceram. Fiz parte de diversos grupos, entre os quais o “Kandandu” onde cantávamos e dançávamos coreografias que ajudaram a desenvolver o estilo de dança.

Em que outros projetos participou?

Participei em projetos como As Cheias da Guine, com Juca Delgado, entre outros. Trabalhei na música, com Bonga, Paulo Flores, Eduardo Paim, Juka, Irmãos Verdades, e outros cantores, e na música portuguesa, brasileira, cantei música inglesa, Fado, etc. Este meu percurso diversificado, dá-me bastante versatilidade.

Descreva a sua obra como Estilista?

Desde criança que tinha este lado da moda, fazia os meus desenhos, fazia os meus arranjos para a minha própria roupa, e resultava; apesar disso, fui modelo e manequim…

Neste momento as peças que concebo são estilos de moda africanos, trabalho com capulana, e também já faço misturas entre capulana e os tecidos ditos normais. Comecei há pouco tempo a criar e a apresentar o meu trabalho, as minhas coleções em eventos, tenho expandido o meu trabalho, e pretendo desenhar futuramente, roupa clássica, e estilo europeu.

Consta que foi ligada a um homem que é uma personalidade lusófona da cultura angolana…

Sim, com Carlos Alberto Flores, mais conhecido por Pai Cabé, que foi um dos ícones na animação musical noturna de Luanda, e Portugal, e na cultura angolana em sentido lato, foi o empresário, e pai do Paulo Flores, que é irmão dos meus três filhos Carlos, Fernando, e Raquel Flores.

Fale-nos sobre si em outras áreas…

Apoio jovens na orientação do seu trabalho, quando me é solicitado orientação vocal, encaminhando e mostrando como devem engrandecer o seu trabalho. Para além disso interpreto temas e faço coros quando sou convidada.

Fui júri das Vozes da Diáspora.

Contribuo para causas e solidariedade, para Angola, São Tomé, Guiné-Bissau, Moçambique entre outros.

Fui modelo fotográfica e manequim quando era mais nova, e mais recentemente geri agências de moda. Dou formação aos jovens manequins e modelos fotográficos, e apoio a organização das Misses CPLP.

Tenho o curso de licenciatura em animação sociocultural na vertente da ação social, tenho formação em música e teatro, gestão de agências de moda, Monitora de ATL.

Pratiquei Desporto - futebol profissional 11, andebol e outros desportos.

Escritor Daniel Bastos apresentou “Terra” em Paris

  • Category: Notícias
  • Published: Monday, 09 February 2015 19:54
  • Written by Lusofonia

7No passado sábado (7 de fevereiro), o escritor português Daniel Bastos apresentou o seu mais recente livro de poesia “Terra” em Paris.

A obra com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue (Português e Francês), com tradução do docente Paulo Teixeira, e que conta com ilustrações do artista plástico Orlando Pompeu e prefácio do fotógrafo, poeta e pintor Gérald Bloncourt, Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras de França, foi apresentada pelo Diretor do Luso-Jornal, um jornal de referência da comunidade lusófona em França, Carlos Pereira.

No decurso da sessão de apresentação no Lusofolies, um novo espaço culturalda comunidade lusófona em França, situado no chamado "viaduto das artes”, que se encheu de compatriotas, Carlos Pereira assinalou o percurso literário de Daniel Bastos no campo da História, salientando que esta incursão do autor natural de Fafe na poesia, tal como nos seus anteriores livros de carácter histórico, revela uma estreita ligação às suas raízes que o prendem à terra, a Portugal e às comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

Por seu lado, o escritor minhoto, que agradeceu a receção calorosa por parte da comunidade emigrante, em particular do promotor cultural do Lusofolies, João Heitor, um homem das letras, dos livros, e da lusofonia, e de Parcidio Peixoto, Conselheiro das Comunidades Portuguesas em França, assegurou que a poesia é sinónimo de liberdade, de cultura e de solidariedade, e que nesse sentido a apresentação do livro em Paris era também uma homenagem às vítimas dos recentes ataques terroristas em França, assim como de reconhecimento pelo trabalho dos nossos emigrantes na construção de pontes entre povos e culturas.

Refira-se que estão programadas ao longo do presente ano, outras sessões de apresentação da obra poética em cidades europeias, e que o escritor e historiador português está já a trabalhar num novo livro com o fotógrafo francês Gérald Bloncourt que irá abordar a história da emigração portuguesa para França entre 1954 e1974.

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